Comercialização futura, com futuros


Aproveitando o potencial de competitividade brasileira

Hoje o Brasil é o segundo maior exportador de soja do mundo, possuindo um posto que confere aos sojicultores brasileiros um patamar de poder e barganha fundamental no processo de comercialização mundial. Porém, ainda há possibilidades de evolução em relação ao processo de comercialização futura da soja, para que a posição privilegiada seja aproveitada na prática, com resultados reais.

Em toda comercialização, apesar das correntes contemporâneas de negociação buscar a postura “ganha-ganha”, sempre haverá um comprador e um vendedor, e um sempre estará em posição de vantagem em relação ao outro, e o formato de comercialização futura do mercado de soja brasileiro tem limitado a posição de liderança mundial ocupada pelo Brasil.

Nas últimas 15 semanas, os fundos financeiros saíram da posição mais vendida para a posição mais comprada da história da CBOT (Chicago Board of Trader), sendo observado, principalmente nos primeiros quinze dias do mês de junho, uma forte mudança nos patamares de preço para a temporada 2016/2017. Como consequência, o nível de comercialização antecipada do Brasil evoluiu significativamente, chegando a 15%, sendo os principais estados o MT e o GO com 26% e 20%, respectivamente. O fato é que esse mercado físico, com prefixações através da utilização de contratos junto às tradings e esmagadoras, coloca os compradores na posição de caçadores, a qual deveria ser ocupada pelos agricultores brasileiros. Compradores com posições de estoques confortáveis, são menos agressivos e colocam maiores proteções no momento da formação do preço, como na logística e nos prêmios.

É notável que grande parte desse mercado antecipado é necessário por uma questão de operacionalização do sistema de crédito vigente, como operações de barter e linhas de crédito de financiamento por parte das tradings e indústrias. Porém, com exceção dos recursos oriundos direto dos compradores, há outra forma para proteção dos preços, garantia financeira e liquidez monetária das operações antecipadas, não só de soja, bem como de todas as commodities agrícolas, como milho e algodão.

A Bolsa de futuros é a melhor opção para comercialização da nova safra, pois com ela não se compromete o produto físico e pode-se efetuar a recompra e liquidação financeira da operação a qualquer momento, quando que necessário ou por oportunidade. Todo agricultor sabe quanto custa, em termos financeiros e de esforços, a necessidade de se fazer um wash-out no mercado físico de soja junto aos parceiros comerciais, principalmente quando há uma frustração de safra. Esses riscos são evitados com as operações de hedge montadas através das bolsas de futuros, além de que com a venda antecipada do produto físico, os compradores são transformados de rato em gatos, por possuir uma posição antecipada de estoques (long – físico).

Como acontece em alguns outros países, os resultados comercias são otimizados significativamente quando se segura as vendas de físico ao máximo, se possível, iniciando as vendas somente depois que os motores das colheitadeiras já tiverem sido desligados, pois é neste momento que começa a aparecer o prêmio do mercado interno, que neste ano chegou a atingir R$ 11,00 por saca de soja acima dos prêmios da exportação, tudo isto porque não existem mais estoques de passagem (carry over) no Brasil, nem de soja nem de milho. Mesmo em anos de safra cheia, em que não há um mercado interno com premiação descolada, a precificação do prêmio seguirá na paridade de exportação e haverá um hedge financeiro para garantir o resulto prefixado pelo agricultor na CBOT.

A safra 2016/2017 está iniciando a todo o vapor, porque muitos produtores já compraram ou estão comprando seus insumos, e vendo o mercado ultrapassar a barreira dos $ 11,00 por bushel, a sensação pode ser de um bom patamar para se fazer o hedge natural entre o físico e os insumos, porém um dos cuidados a ser tomado é saber a que nível de preço é interessante começar a vender, porque se a safra velha continuar subindo vai refletir nas cotações da safra nova, e uma venda que pode parecer boa hoje, poderá não ser tão interessante se o mercado continuar subindo, o que é provável, portanto a recomendação é vender, se possível na Bolsa, aos poucos e fazer uma média.

Semana que vem estaremos publicando um vídeo explicando os detalhes operacionais para compra de futuros e operação de hedge através das opções. Aguardem!!