Gestão financeira agrícola


Demonstrativos fundamentais

A gestão financeira consiste em orquestrar a composição do patrimônio e a utilização dos recursos financeiros. É inconcebível gerir financeiramente uma organização sem os devidos demonstrativos para indicar a situação em que a empresa se encontra e redireciona-la rumo ao sucesso, quando necessário.

Neste sentido, analisando gerencialmente, três demonstrativos são cruciais e indispensáveis para se obter bons resultados, a saber: Fluxo de caixa, demonstrativo de resultado do exercício e balanço patrimonial. Faz-se algumas considerações quanto ao período abrangido por estes demonstrativos, devido às peculiaridades da atividade agrícola.

Na ordem do mais operacional ao mais estratégico, está em primeiro o fluxo de caixa, que exige um horizonte de análise de no mínimo de 24 meses a frente, pois, visualizando previamente as necessidades de caixa futuras, o gestor financeiro terá margem para manobra e junto ao comercial suprir tais necessidades, ou buscar no mercado de crédito a opção mais barata.

Em seguida, tem-se a DRE que faz alusão ao exercício encerrado. Ou ainda, elabora-se DRE’s parciais para acompanhar a evolução das receitas e despesas, e por consequência, dos lucros ou prejuízos do período em análise. De modo geral, duas informações relevantes tem-se neste demonstrativo: o EBITDA, que pode ser visto, como lucro operacional, aponta se o negócio é de fato lucrativo, se a operação está convertendo favoravelmente o recurso aplicado, ou melhor, em que proporção a receita está se tornando lucro. Porém, a esta medida, exclui-se juros, impostos, depreciação e amortização. A parte posterior ao EBITDA contemplará os elementos acima citados, apresentando o lucro ou prejuízo do período ao final da análise.

Por fim, mas não menos importante, está o Balanço Patrimonial. Este, tem por finalidade, dentre outras, refletir a composição patrimonial, e consequentemente, aludir a saúde financeira da organização. Indicativos como participação de terceiros e índices de liquidez, podem a exemplo, apontar a necessidade e urgência de modificação na forma como as finanças são tratadas.

Em momentos de crise, com marcante retração da economia e do crédito, estar alavancado financeiramente deixará de ser vantajoso como outra, pois a lucratividade da operação tenderá a reduzir e o recurso ficará cada vez mais caro, corroendo desta forma a lucratividade.

Corroborando com o apresentado, a evolução tecnológica e a facilidade de acesso a planilhas eletrônicas simples e outros, possibilitam facilmente ao gestor financeiro, por meio destes demonstrativos relativamente automatizados, acompanhar a situação financeira da organização e direcionar aos resultados positivos, e não agir apenas por resposta/reação aos eventos e econômicos e mercadológicos. Traz ás mãos o real controle das finanças.