Produz do campo, perde no banco


Os riscos da alavancagem finaceira

São inúmeros os desafios enfrentados por um gestor agrícola. Fatores climáticos, cambiais, mercadológicos, e técnicos no âmbito da produção, são exemplos de elementos que influenciam, quando não determinam, as decisões na busca de melhores lucratividades. Dentre estes, encontra-se a responsabilidade de gerir o fluxo de caixa preservando o patrimônio. A alavancagem financeira apresenta-se como ótima opção na resolução de faltas de caixas, entretanto, é necessário melhor análise.

Alavancar-se financeiramente é trabalhar com recursos de terceiros, tendo por principal consequência, o principio multiplicativo do resultado. Ou seja, caso a operação venha tendo lucro líquido, ao alavancar-se financeiramente, tais resultados positivos serão potencializados. Percebe-se o mesmo efeito para resultados negativos, o efeito multiplicativo aumenta prejuízos.

Tempos atrás, quando a atividade rural produtiva conferia grandes margens por consequência da combinação de fatores como bons preços das commodities, câmbio em patamar confortável, custo em níveis mais baixos, dentre outros, o produtor ruralassumiu grandes riscos financeiros em nome do crescimento e expansão de suas áreas cultivadas, trazendo para a própria estrutura financeira altas somas de capital de terceiros.

Com alterações no cenário econômico, a margem de lucratividade encolheu-se e em alguns casos tornaram-se negativas; as estruturas alavancadas, continuaram potencializando tais resultados. Entretanto, o resultado que outrora positivo, hoje, negativo, ameaça tais patrimônios. Deste modo, pode-se falar que, o que se conquistou no campo, foi ou tem sido, entregue ao banco.

Percebe-se ameaça aos patrimônios em análise, na medida em que o capital de terceiros acrescido à estrutura financeira não potencializa resultados positivos, não obstante, requer juros pela sua utilização. Devido às margens negativas resultantes das operações período após período, se faz necessário liquidar paulatinamente o patrimônio para honrar as obrigações com terceiros. Isto não faz do capital de terceiros, elemento tipicamente prejudicial às estruturas financeiras, antes, convém a cada situação análises profundas e específicas.

Outro aspecto que geralmente não é considerado quando se decide trabalhar alavancado financeiramente, é o fato de reduzir a autonomia e domínio nas tomadas de decisões, dificultando a implementação de medidas financeiras para melhoramento. A princípio, não se perde o controle do negócio para o credor, como sugere uma primeira leitura. A perda do domínio financeiro se dá na medida do comprometimento financeiro futuro, seja no curto, médio ou longo prazo. Ou seja, a dívida contratada deverá ser paga, logo, compromete os lucros que se espera ter.

Ao analisar deste modo superficial, não se consegue perceber a complexidade da gestão financeira no agronegócio. Entretanto, o Ciclo de Caixa no setor agrícola é consideravelmente grande, do período de plantio ao período de faturamento transcorrem em média 6 a 7 meses; Por consequência, o planejamento do mesmo torna-se delicado incorrendo em diversos equívocos quem o faz sem o devido cuidado. Atualmente, existem diversos mecanismos financeiros que fornecem possibilidades de antecipação de recebíveis e outros, entretanto, estas ferramentas se caracterizam como alavancagem, umas de curto prazo, outras de médio e longo prazo. Como posto acima, o principal impacto a alavancagem financeira é a multiplicação dos resultados, sejam positivos, sejam negativos.